Estudantes de escola pública do Paraná criam tinta solar que transforma superfícies em geradoras de energia

20/11/2025

Originalmente publicado por Assessoria de Imprensa.

Iniciativa do Colégio Estadual Conselheiro Carrão mobiliza jovens do Ensino Médio em Tempo Integral para desenvolver uma tinta solar feita com materiais recicláveis e de baixo custo

Em uma escola pública do interior do Paraná, jovens cientistas estão transformando ideias simples em soluções sustentáveis. Estudantes do Colégio Estadual Conselheiro Carrão, em Assaí (PR), desenvolveram o Projeto Placa Solar, também chamado de Células do Sol, uma tecnologia que utiliza uma tinta especial capaz de converter a luz em energia elétrica.

A iniciativa nasceu dentro do ecossistema SunRise, formado integralmente por meninas e orientado pelo professor Matheus Rossi, e é um dos destaques do modelo de Ensino Médio em Tempo Integral, que incentiva o aprendizado na prática, o protagonismo juvenil e o desenvolvimento do projeto de vida.

Tinta que gera energia e inspira novas descobertas

A proposta do grupo é transformar qualquer superfície (como muros e fachadas) em uma fonte de energia limpa. A tinta criada pelas estudantes, produzida a partir de materiais recicláveis e de baixo custo, capta a luz solar e gera eletricidade. A tecnologia já foi testada no laboratório da escola e apresentou resultados promissores.

“A gente conseguiu gerar energia com alguns elementos básicos, que são de fácil acesso. Eu achei bem inovador, porque é uma forma de ajudar na sustentabilidade com algo simples, que pode estar ao alcance de qualquer escola”, explica a estudante Maitê Iryoda, de 16 anos, pesquisadora-chefe do projeto.
O Projeto Placa Solar é o mais recente desdobramento do ecossistema SunRise, criado em 2022 dentro do colégio, quando um grupo de cinco estudantes decidiu usar a ciência para melhorar a cidade. O primeiro passo foi o Projeto Biodiesel, que transformou óleo de cozinha usado em combustível sustentável, testado com sucesso em um ônibus escolar e reconhecido nacionalmente por seu impacto ambiental e social.

O êxito da iniciativa deu origem a um ecossistema que hoje reúne mais de 20 estudantes em diferentes frentes científicas, entre elas, química, robótica e tecnologia assistiva. Todas com o propósito de usar a inovação e o conhecimento científico para gerar impacto positivo.

No caso do Placa Solar, o grupo decidiu explorar o potencial das energias alternativas e o uso de materiais acessíveis, uma forma de democratizar o conhecimento científico dentro da escola pública. “A placa está no laboratório e já funciona. Pensar em um protótipo de larga escala é caro, mas como projeto didático, o potencial é enorme. Qualquer professor pode aplicar em sala de aula para ensinar energia alternativa e sustentabilidade de forma prática”, explica o professor Matheus Rossi.

Protagonismo que transforma a escola e o futuro

Além da descoberta científica, o projeto é também uma poderosa ferramenta de formação pessoal. Dentro do modelo de Ensino Médio em Tempo Integral, as estudantes participam de eletivas e clubes de protagonismo estudantil que permitem o desenvolvimento de habilidades como trabalho em equipe, liderança e autonomia. “A gente precisa ter bastante comunicação. Se uma tem dificuldade, a outra ajuda, e quando temos ideias, a gente junta e melhora”, conta Maitê.

O aprendizado vai além do laboratório. A equipe apresentou a inovação em eventos e competições locais e chegou a vencer um hackathon municipal, o que reforçou o sentimento de conquista entre as jovens pesquisadoras. “É muito bom sentir esse orgulho, porque foi um projeto que nós criamos. Acho que é muito gratificante”, diz a estudante.

Para ela, a experiência desperta não apenas o interesse pela ciência, mas também a confiança em seu próprio futuro. “Eu espero ter uma carreira boa e conseguir um futuro excelente. Acho que o projeto vai ter um impacto muito grande, porque ajuda muito na sustentabilidade. E hoje em dia, com tanta tecnologia, isso é essencial”, destaca.

Para o professor Matheus Rossi, essa vivência resume o espírito do ecossistema SunRise e os princípios do modelo integral: “Essas estudantes aprendem tanto com os acertos quanto com os desafios. Elas mesmas planejam, escrevem, testam e apresentam os projetos. O papel do professor é orientar e abrir caminhos. É o protagonismo juvenil acontecendo de forma real”.

Quero Integral
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