Estudantes de escola pública do Paraná criam tinta solar que transforma superfícies em geradoras de energia
Originalmente publicado por Assessoria de Imprensa.
Iniciativa do Colégio Estadual Conselheiro Carrão mobiliza jovens do Ensino Médio em Tempo Integral para desenvolver uma tinta solar feita com materiais recicláveis e de baixo custo
Em uma escola pública do interior do Paraná, jovens cientistas estão transformando ideias simples em soluções sustentáveis. Estudantes do Colégio Estadual Conselheiro Carrão, em Assaí (PR), desenvolveram o Projeto Placa Solar, também chamado de Células do Sol, uma tecnologia que utiliza uma tinta especial capaz de converter a luz em energia elétrica.
A iniciativa nasceu dentro do ecossistema SunRise, formado integralmente por meninas e orientado pelo professor Matheus Rossi, e é um dos destaques do modelo de Ensino Médio em Tempo Integral, que incentiva o aprendizado na prática, o protagonismo juvenil e o desenvolvimento do projeto de vida.
Tinta que gera energia e inspira novas descobertas
A proposta do grupo é transformar qualquer superfície (como muros e fachadas) em uma fonte de energia limpa. A tinta criada pelas estudantes, produzida a partir de materiais recicláveis e de baixo custo, capta a luz solar e gera eletricidade. A tecnologia já foi testada no laboratório da escola e apresentou resultados promissores.
“A gente conseguiu gerar energia com alguns elementos básicos, que são de fácil acesso. Eu achei bem inovador, porque é uma forma de ajudar na sustentabilidade com algo simples, que pode estar ao alcance de qualquer escola”, explica a estudante Maitê Iryoda, de 16 anos, pesquisadora-chefe do projeto.
O Projeto Placa Solar é o mais recente desdobramento do ecossistema SunRise, criado em 2022 dentro do colégio, quando um grupo de cinco estudantes decidiu usar a ciência para melhorar a cidade. O primeiro passo foi o Projeto Biodiesel, que transformou óleo de cozinha usado em combustível sustentável, testado com sucesso em um ônibus escolar e reconhecido nacionalmente por seu impacto ambiental e social.
O êxito da iniciativa deu origem a um ecossistema que hoje reúne mais de 20 estudantes em diferentes frentes científicas, entre elas, química, robótica e tecnologia assistiva. Todas com o propósito de usar a inovação e o conhecimento científico para gerar impacto positivo.
No caso do Placa Solar, o grupo decidiu explorar o potencial das energias alternativas e o uso de materiais acessíveis, uma forma de democratizar o conhecimento científico dentro da escola pública. “A placa está no laboratório e já funciona. Pensar em um protótipo de larga escala é caro, mas como projeto didático, o potencial é enorme. Qualquer professor pode aplicar em sala de aula para ensinar energia alternativa e sustentabilidade de forma prática”, explica o professor Matheus Rossi.
Protagonismo que transforma a escola e o futuro
Além da descoberta científica, o projeto é também uma poderosa ferramenta de formação pessoal. Dentro do modelo de Ensino Médio em Tempo Integral, as estudantes participam de eletivas e clubes de protagonismo estudantil que permitem o desenvolvimento de habilidades como trabalho em equipe, liderança e autonomia. “A gente precisa ter bastante comunicação. Se uma tem dificuldade, a outra ajuda, e quando temos ideias, a gente junta e melhora”, conta Maitê.
O aprendizado vai além do laboratório. A equipe apresentou a inovação em eventos e competições locais e chegou a vencer um hackathon municipal, o que reforçou o sentimento de conquista entre as jovens pesquisadoras. “É muito bom sentir esse orgulho, porque foi um projeto que nós criamos. Acho que é muito gratificante”, diz a estudante.
Para ela, a experiência desperta não apenas o interesse pela ciência, mas também a confiança em seu próprio futuro. “Eu espero ter uma carreira boa e conseguir um futuro excelente. Acho que o projeto vai ter um impacto muito grande, porque ajuda muito na sustentabilidade. E hoje em dia, com tanta tecnologia, isso é essencial”, destaca.
Para o professor Matheus Rossi, essa vivência resume o espírito do ecossistema SunRise e os princípios do modelo integral: “Essas estudantes aprendem tanto com os acertos quanto com os desafios. Elas mesmas planejam, escrevem, testam e apresentam os projetos. O papel do professor é orientar e abrir caminhos. É o protagonismo juvenil acontecendo de forma real”.